Mão de obra qualificada é desafio para o futuro da indústria naval


Foto:Rio Nave.
A especialização de mão de obra e capacitação de recursos humanos estão entre os principais desafios da indústria naval brasileira. De acordo com dados do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore), com a construção de quatro novos estaleiros, cerca de 30 mil empregos deverão ser gerados nos próximos dois anos e os profissionais do setor precisam estar preparados para as exigências do mercado.

Baixa qualificação técnica, alta rotatividade, salários inflacionados e a recente desaceleração da atividade colocaram em xeque a expectativa de produtividade das empresas do setor de construção naval.
Outra demanda da indústria referente à mão de obra é sobre os soldadores. O presidente do estaleiro Levefort, Carlos Paggiaro, confirma a dificuldade de encontrar profissionais. “Temos dificuldade para encontrar mão de obra qualificada. A rotatividade no setor é muito alta, principalmente na área de soldagem. Precisamos buscar profissionais na região”.

A falta de qualificação da mão de obra disponível tem um custo alto para a indústria local e fica evidente quando se compara a produtividade brasileira com a de outros países. Enquanto no Brasil são produzidos 3kg de eletrodos por dia, no Japão, essa é a média produzida em cerca de uma hora. “Os problemas mais comuns são os de execução dos procedimentos corretos de soldagem. Se algum dos requisitos necessários não for atendido na execução (como a temperatura e a velocidade, por exemplo), a falha não pode ser evitada”, diz o engenheiro José Luís Rodrigues da Cunha, especialista no assunto soldagem.

Cunha explica que o mercado experimenta uma retração importante e a rotatividade na profissão é alta. Segundo dados do Centro de Engenharia Naval do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o custo da mão de obra ainda deve continuar elevado porque a balança da oferta e demanda está desequilibrada e inflaciona os salários dos poucos profissionais capacitados. De todos os custos para produzir uma embarcação, por exemplo, 65% corresponde ao gasto com materiais, peças e equipamentos, enquanto 20% corresponde à mão de obra e outros 15% são consumidos por despesas diversas. Na visão do engenheiro, a saída é investir em treinamento teórico e prático. “É fundamental que exista adequação de mão de obra à demanda atual da indústria”.

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